Quanto maior a cadeira, mais o resultado demora 

Você assumiu uma cadeira nova. Mais sênior, mais responsabilidade, mais gente. E os primeiros meses estão passando sem aquele resultado que você esperava ver.

Aí bate a dúvida: será que eu não estou dando conta?

Quanto maior a senioridade de um cargo, mais tempo ele demora pra trazer resultado expressivo. Isso não é desculpa. É o jeito que a cadeira funciona.

A Isla Gordon também precisou de tempo

Eu adoro a Kate Hudson, e tenho recomendado muito a série Running Point (aqui, A Dona da Bola). Ela interpreta a Isla Gordon, que, depois de um problema com o irmão, assume a presidência do clube de basquete da família.

Sem spoiler: ela tem tino. Enfrenta muito desafio. E a vitória dela mesmo vem depois de um tempo.

Repara: ter tino não fez a vitória chegar antes. Ajudou ela a aguentar até a vitória chegar.

Além de engraçada, a série toca em vários temas importantes: liderança feminina, ser acreditada, tomar decisão difícil, ter senso de urgência pra fazer as coisas acontecerem. Mas o que mais me pegou foi essa história do tempo de fazer dar certo.

O ritmo de quando você entregava sozinho

Quando a gente é contribuidor individual, a conta é mais direta. Você faz, o resultado aparece. Trabalhou mais, entregou mais. A distância entre o esforço e a entrega é curta.

Aí você assume uma cadeira nova e, sem perceber, continua esperando o mesmo ritmo. Só que a realidade não é essa.

Agora você depende de um time. Tem várias camadas de operação entre a sua decisão e o resultado. E tem muito problema que não depende só da sua solução: depende de outra área, de gente que ainda está aprendendo, de um contexto que você não controla.

Cada camada dessas leva tempo. A decisão que você toma hoje vira comportamento do time daqui a algumas semanas. E só depois vira número.

No começo, boa parte do seu trabalho é invisível. Entender a operação, conhecer as pessoas, descobrir onde estão os problemas de verdade. Nada disso aparece no painel do mês. E é exatamente isso que vai sustentar o resultado lá na frente.

Se você mede a cadeira nova com a régua da cadeira antiga, vai achar que está atrasada o tempo todo.

Respeitar o processo não é ficar parado

E aqui tem um equilíbrio difícil, que a própria série mostra bem. Respeitar o tempo da cadeira não significa perder o senso de urgência.

As duas coisas convivem. Você precisa ter pressa pra tirar do caminho o que está atrapalhando, pra tomar a decisão difícil que ninguém quer tomar. E precisa de paciência pra deixar essas decisões amadurecerem no time, sem refazer tudo a cada semana só porque o número ainda não mexeu.

O erro mais comum é inverter. Ter paciência com o que pedia urgência e pressa com o que pedia tempo.

Então vale se perguntar, com calma: o que aqui depende de mim e precisa andar agora? E o que depende de várias camadas e precisa de tempo pra aparecer? Só essa separação já tira um peso enorme da cobrança que você faz em cima de você mesma.

Isso é normal

Essa é uma pauta que aparece com bastante frequência nas minhas mentorias: a pessoa com dificuldade de assumir uma cadeira nova. Cobrando de si mesma o resultado no ritmo de antes.

E isso é normal. É natural. A cadeira é maior, o tempo de resposta também. O que não quer dizer sentar e esperar o resultado cair do céu.

O que eu trabalho nessas conversas é justamente separar as duas coisas: onde precisa de urgência agora e onde precisa respeitar o processo.

Se você assumiu uma cadeira nova e está vivendo isso, me chama no Instagram @amarileitee. E se já assistiu Running Point, me conta o que achou.