Faltam 54 dias úteis para 2027. E a sua avaliação já começou.

Já estamos quase na metade de Outubro, alguém comenta no café que “o ano acabou”, começamos a ver panetones e decorações de Natal e daqui a poucos os memes são sobre "com ou sem uvas passas" e a gente sente aquele aperto.

Faltam 54 dias úteis para 2027

E a reação automática de quem é sênior e se cobra muito é uma só: acelerar. Entregar mais. Se a meta não está batida então, esse lugar fica ainda mais claro. Fechar tudo que ficou pendente. Mostrar serviço antes que o ano feche.

Eu fiz isso por muitos anos. E vou te contar por que hoje eu acho sua energia não pode ser colocada só ali.

A reta final não se fala só das entregas

Quando você chega em novembro com a cabeça enterrada na operação, tem uma conversa acontecendo sem você. É a calibração. É a discussão de orçamento do ano que vem.

É a lista de quem vai pegar o projeto novo, de quem está pronto pra próxima cadeira. Essas decisões não esperam dezembro. Elas vão sendo tomadas agora, em salas onde a gente nem sempre está. 

Eu posso falar isso com propriedade, ano passado fiz o orçamento da minha área sozinha, fiz todo o desenho de planejamento e metas, tentava loucamente bater minhas metas de 2025, enquanto na sala do lado meus chefes discutiam quando eles iam me mandar embora! 

Em outra ocasião eu montei uma unidade de negócio do zero, validei GTM, com a promessa de que ali eu ia construir minha cadeira de head. Virei noites. O negócio cresceu. E a diretoria contratou um sênior de fora pra sentar nela. Pedi feedback pro meu diretor, ele passou 50 minutos me elogiando, e aí eu perguntei: “Tá, mas o que falta pra eu ser promovida?”

Ele não soube responder.

Ali eu entendi. Eu estava esperando alguém perceber que eu estava pronta. Ninguém percebe sozinho.

O que eu faria com esses 54 dias

Não é mais uma lista de tarefas. São três conversas.

A primeira é com a sua liderança, agora, e não na reunião de avaliação. Pergunta com todas as letras: o que falta? Se a resposta vier vaga, você ainda tem tempo de mudar alguma coisa. Em dezembro, não tem mais.

A segunda é com quem influencia a decisão sobre você. Eu fazia questão de bater um papo, de tempos em tempos, com um diretor que era próximo da minha chefe. Mandava pra ele reportagens sobre os pontos da minha avaliação de desempenho. Não puxando saco, não. Mostrando como eu pensava. Hoje a literatura chama isso de sponsor, e ele não aparece em outubro se você não plantou antes. Mas dá pra começar.

A terceira é com você mesma. Olha pro ano que passou e escolhe as três coisas que realmente mudaram o negócio. Não as vinte que te deixaram cansada. As três. É essa história que você precisa saber contar quando alguém perguntar o que você fez esse ano. Porque alguém vai perguntar, e de preferência você já vai ter respondido antes.

Cuidado com o esconderijo

Tem um cansaço de fim de ano que não vem de trabalhar demais. Vem de provar demais. E estar ocupada é o esconderijo mais elegante que existe: ninguém te cobra posicionamento quando você está apagando incêndio.

Sustentar a entrega é obrigatório, isso ninguém discute. Mas sênior de verdade não se dá ao luxo de não ser intencional. Às vezes é tirar o time de campo numa briga pequena pra ter energia pra conversa que importa.

Os próximos 54 dias

Quando eu era diretora e já estava desenhando o que viria depois da minha carreira CLT, aprendi que dá pra fazer duas coisas ao mesmo tempo: entregar o hoje e construir o amanhã. A reta final do ano é o melhor momento pra treinar isso. Você não precisa de mais um curso nem de mais uma entrega heroica. Precisa de três conversas bem feitas.

É por aqui que eu começo com quem chega nas minhas mentorias nessa época do ano: a gente para de usar esses 54 dias para provar 2026 e começa a usar para construir 2027.