O problema não é o teto de vidro
E sim o degrau quebrado.
A ausência de mulheres na alta liderança começa muito antes do teto de vidro.
Fui olhar o Women in the Workplace de 2025 e o número que me pegou não estava no topo.
Mulheres são 49% de quem entra numa empresa e 42% de quem vira gerente pela primeira vez. Sete pontos somem num degrau só. Da gerência pra cima, nenhum degrau custa mais que quatro.
E eu não tô falando em promover ninguém sem entrega, não.
Fiquei pensando por que justo ali. Acho que é o seguinte: a primeira promoção pra gestão é a única da carreira em que ninguém tem prova.
A pessoa nunca liderou nada. Não existe resultado de liderança pra olhar, porque não teve liderança ainda. Então a decisão sai em cima de potencial visto e percebido.
E potencial visto e percebido é a coisa mais fácil de contaminar. É onde cabe "ela é muito operacional", "falta pulso", "não sei se ela dá conta agora". Nenhuma dessas frases fala de performance. Todas falam sobre percepção do que foi visto. E percepção acaba virando verdade.
Eu conheço muita Camila. Entrega tudo, no prazo, sem erro, sem ninguém precisar cobrar. Aí abre vaga de gerente e o nome dela não aparece.
Ela achou que o trabalho ia falar por ela. O trabalho falou. Falou que ela é boa de operação.
Eu demorei muito pra entender isso. Me cobrava muito, estudava muito, corria atrás do prejuízo, e vendia muito barato o meu esforço.
A prova você faz existir antes.
Puxa um projeto com gente de outras áreas.
Forma alguém.
Assume um problema que não é seu.
Dá visibilidade pro que você entrega.
Fala da sua ambição em voz alta e alinha o que precisa acontecer pra você chegar lá.
Fonte: Women in the Workplace 2025, McKinsey e LeanIn.


